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Notícias 17/11/2008
Força da classe média: os novos vôos da classe C em Salvador
Graciela Alvarez | Redação CORREIO
O potencial de consumo da classe C em Salvador aumentou 178% nos últimos cinco anos, saltando de R$3 bilhões, em 2003, para R$8,5 bilhões este ano. Os dados da Consultoria Target mostram que, embora o crescimento da capital baiana seja menor do que a média do Nordeste (266%), ele é bem maior do que a média nacional, de 94,78%. No ranking das capitais brasileiras, o volume movimentado pela classe média na capital baiana só perde para São Paulo (R$25,4 bilhões) e Rio de Janeiro (R$18,7 bilhões).
Milhares de consumidores emergentes estão transformando a vida e economina da capital
Eletrodomésticos de ponta, internet rápida, carros, viagens, casa própria, enfim, hoje, com a economia estabilizada, há um mundo de produtos e serviços ao alcance de uma faixa da população que antes só chegava perto desses bens pela tela da TV. Mas onde será que a classe C de Salvador está gastando mais? De acordo com o levantamento da Target, a maior fatia da bolada vai para a mesa dos soteropolitanos, como já ocorria em 2003.
Em 2008, essa parcela da população deve gastar cerca de R$2,2 bilhões apenas com alimentação, incluindo as refeições fora de casa. 'Houve um aumento significativo nos gastos com manutenção do lar, devido aos aumentos das contas de luz, água e esgoto, além do IPTU, acima da inflação nos últimos anos', afirma o diretor da Target, o economista Marcos Pazzini. Mas ele acrescenta que, com a melhora do poder de compra dos consumidores da classe C, a tendência é que eles adquiram mais produtos e serviços, como equipamentos elétricos, que no fim do mês acabam impactando na conta de energia.
'Hoje, com juros baixos e facilidade de crédito, eles têm mais condições de comprardo que há cinco anos', acrescenta. Para Marcos Pazzini, quem pretende oferecer seus produtos e serviços em Salvador não pode desconsiderar essa parcela da população. 'Ela merece ser estudada, para que se descubram quais são suas aspirações e expectativas de produtos e serviços', destaca.
Aumenta o poder de compra, o que alavanca o comércio varejista
Segundo o economista Oswaldo Guerra, além da melhoria na renda e aumento das vagas de emprego, vários outros fatores contribuíram para a ascensão da classe média. Ele citou a ampliação da oferta de crédito e a redução da taxa de juros. 'As pessoas se sentem mais confortáveis para contratar um empréstimo', disse.
Desde 2003, o Produto Interno Bruto (PIB) da Bahia vem crescendo acima da média nacional, exceto no ano passado, quando o PIB do Brasil cresceu 5,4% contra os 4,5% da Bahia. 'Isso significa dizer que, quando uma economia cresce, mais empregos são criados, aumentando o poder de compra dos consumidores', destacou.
Reflexos
Para o presidente do Sindicato dos Lojistas da Bahia (Sindilojas), Paulo Motta, esses R$8,5 bilhões vêm alavancando o comércio varejista da capital baiana, que já está em seu 56º mês de alta consecutiva. De acordo com a Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), realizada pelo IBGE, as vendas do segmento no estado apresentaram expansão de 2,8%emjunho,emrelação ao mesmo mês de 2007.
'Quem vem agigantando o varejo é o aumento do poder de compra desses consumidores da classe C, que antes se restringiam apenas a comprar o necessário', pontua. Ele diz ainda que os setores mais beneficiados são: eletrodomésticos, móveis, confecções, calçados e alimentos. 'Há cinco anos, quem comprava iogurte era rico. Hoje, quase todo mundo consome', finaliza o dirigente.
Crescimento
A Pesquisa Brasil em Foco, da IPC Target 2008,mostra que o número de domicílios da classe C em Salvador saltou de 167 mil, em 2003, para nada menos que 389 mil. Esta elevação representa um incremento de mais de 132%. A classe média, segundo a Target, é dividida entre classe C1 e classe C2.A primeira, que engloba 191 mil domicílios, tem potencial de consumo de R$5,77 bilhões ao ano. Já a segunda, que totaliza as outras 197 mil famílias, estará consumindo o equivalente a R$2,77 bilhões.
Apresuntado substitui mortadela
Vistos como 'alternativos' pelos consumidores da classe C, os mercadinhos de bairro também estão sendo beneficiados pelo aumento do poder de compras dessa parcela da população. Para não perder o freguês, o proprietário de um estabelecimento de médio porte em Paripe se esmera para que não faltemos produtos na prateleira.
Para João Cláudio Andrade, quando o poder de compra aumenta, os clientes passam a consumir mais o que desejam, incluindo os supérfluos. O Mercadinho de Andrade vem registrando algumas mudanças nos hábitos alimentares dessa parcela da população. Segundo ele, há alguns anos, o consumidor da classe C conhecia o que era bom, mas não tinha dinheiro para comprar.
'Hoje, em vez de levar a tradicional mortadela, ele leva uma quantidade menor de apresuntado ou até do próprio presunto', diz. Dentre os itens que estão cada vez mais freqüentes no carrinho desses clientes, estão os lácteos. No mercadinho, o setor de iogurtes cresce mais de 25% ao ano.
(Reportagem publicada na edição de 14/09/2008 do CORREIO) |
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